Uma dialética deixa-se representar como uma espiral vertical e ascendente, indo do temporal ao sobre-temporal, do efêmero ao perene, preferivelmente de forma cônica, sedenta do eterno.
Outra deixa-se representar em uma espiral horizontal e progressiva, indo do temporal ao mais temporal, do efêmero ao mais efêmero, preferivelmente de forma cônica, insatisfeita com o próprio efêmero, e de forma invertida sedenta pela destruição.
O eufemismo intelectual mais delicado para esta última seria "dialética negativa": das respostas possíveis apenas a negativa é resposta. Ela converte-se facilmente, por paradoxo, num jogo confortável e mútuo do sim.
Trata-se de uma espiral em movimento retilínio uniforme, ou que se movimenta em todas as direções opostas ao mesmo tempo, de modo rizomático entre o vácuo das estrelas mortas.
Para a outra, qualquer expressão parece pobre demais para afirmar os jogos internos de sua composição: para as respostas possíveis, mesmo as negativas contém um aspecto positivo e apropriador.
Surge um planeta, uma estrela, passa um cometa, e o sistema permanece plantado, orgânico e vivo.
De qualquer modo, ascese e superação são entre ambas os análogos mais perigosos de qualquer esforço para a humanidade erguer-se - não voar;
eis, pois, uma propriedade não só das espirais, mas ainda âmago intrínseco das curvas.
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